Com crescimento intenso no país, idosos necessitam de atenção especial em condomínios

A população brasileira vive cada vez mais. A média atual de vida no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 73 anos. O significativo crescimento do número de pessoas com mais de 60 anos no Brasil – 10% do total de habitantes do país, o que correspondente a 23 milhões de pessoas – vem transformando o perfil dos clientes que adquirem um imóvel.

A participação relativa da população com 65 anos ou mais, que era de 4,8% em 1991, passou a 5,9% em 2000 e chegou a 7,4% em 2010. É fácil perceber a realidade desses números nos condomínios das cidades, onde é cada vez mais comum identificar idosos que moram sozinhos. Entretanto, é do conhecimento de todos, que, à medida que a idade avança, as limitações aparecem. Dessa forma, esse público exigente possui necessidades específicas que merecem atenção especial dos corretores e das administradoras de condomínios.

Segundo estudos da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de SP, 40% dos brasileiros com mais de 65 anos precisam de algum tipo de ajuda para realizar tarefas do cotidiano. Entretanto, é necessário ter sensibilidade e tato até na hora de saber quando e como se deve ajudar. Não se pode tirar a capacidade funcional do idoso. O que ele puder fazer sozinho ele deve continuar fazendo. Alguns deles, porém, necessitam de supervisão, outros, que façam por ele. É preciso perceber a dificuldade de cada um antes de agir. Por isso, os funcionários do condomínio devem ser muito bem capacitados para lidar com eles.

De acordo com os dados da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) a estimativa da incidência de quedas por faixa etária é de 28% a 35% nos idosos com mais de 65 anos e 32% a 42% naqueles com mais de 75 anos. Trauma é a quinta causa de mortalidade na faixa etária maior que 65 anos, sendo a queda responsável por 70% das mortes acidentais em pessoas acima de 75 anos. Quase metade das mortes é decorrência de uma fratura de fêmur.

As causas mais comuns de acidentes em casa são os obstáculos que se encontram pelo caminho. Pode ser um tapete, um piso molhado, um móvel que deixa pouco espaço para passagem ou até um degrau. O banheiro é o lugar com maior incidência de acidentes graves, primeiro porque muitos idosos querem preservar a privacidade e chaveiam a porta, e segundo porque o local costuma ficar, com freqüência, úmido e escorregadio.

A partir dessa faixa etária, a escolha por um novo imóvel inclui cuidados com as áreas coletivas, que devem possuir desníveis vencidos por rampas e escadas mais ergonômicas, portas e espaços de circulação mais generosos e amplos, pisos opacos e antiderrapantes (também nos banheiros e cozinhas, principalmente), portas de vidro com sinalização adequada, aplicação de recursos de iluminação e elevadores amplos. Esses são fatores essenciais que ajudam a ampliar a autonomia e segurança dos idosos.

Além disso, as unidades devem ter adaptações específicas, como interruptores mais baixos para facilitar o alcance; tomadas mais altas para minimizar o esforço de abaixar e levantar; maçanetas em forma reta e não redondas; vasos sanitários e boxes de banheiro com barras de apoio ao redor e espaços de passagem maiores, a fim de garantir entradas e saídas livres com possibilidade de locomoção com mais um acompanhante, cadeira de rodas ou andadores. É interessante também que o vaso sanitário seja elevado.

Nas escadas é importante que haja uma sinalização de cor contrastante na ponta do degrau, para ajudar os idosos que não enxergam bem. O corrimão deve ser firme e ficar dos dois lados, começando antes da escada e terminando um pouco depois. É importante que a altura entre os degraus não varie e que eles não sejam muito altos.

O importante desse processo é perceber que esse tipo de projeto não onera significativamente as construções quando os detalhes são planejados desde o início. Por fim, os resultados podem ser esteticamente bem interessantes quando isso passa a ser um desafio do arquiteto projetista. Mas é preciso estar alerta, pois a participação do próprio idoso na realização desses projetos é essencial, especialmente no que se refere à reformas internas.

Além disso, é primordial que o condomínio ou o síndico promovam encontros de interação entre todas as idades com o objetivo de evitar o isolamento social. Os funcionários devem também ter sempre ao seu alcance os dados dos idosos do condomínio e de seus familiares e amigos, bem como saber quais são as limitações e possíveis doenças deles para melhor agir em primeiros socorros.