Governo chinês quer arquitetura ‘menos bizarra’ nos prédios do país

A arquitetura peculiar chinesa está com os dias contados. Em um pronunciamento oficial, o Conselho de Estados da China informou que as novas diretrizes de planejamento urbano do país deverão proibir construções “bizarras” e de “formatos esquisitos”, que descaracterizam o caráter e o legado cultural da China. A nova recomendação busca que os edifícios que sejam “econômicos, sustentáveis e bonitos”, informou a “CNN”.

O documento diz ainda que “a arquitetura bizarra que não seja econômica, funcional, esteticamente agradável e amiga do meio ambiente será banida”, apesar de não descrever como esses critérios serão aplicados.

O grande crescimento econômico chinês nas últimas décadas ocasionou um boom de construções bem singulares e, desde então, o país vem sendo um parque de diversões para os arquitetos. O prédio da Central Chinesa de Televisão (CCTV) é um dos exemplos mais famosos. Por conta do seu formato, ele é conhecido pelas pessoas como “as grandes calças”.

A Sede do Centro Chinês de Televisão é um dos edifícios mais famosos da China, e ganhou o apelido de “as grandes calças”, por ter um formato que lembra uma calça comprida. Foi projetado pelo escritório de arquitetura Holandês OMA (“Office for metropolitan architecture”).

Esse tema não é noviadade para os chineses. Desde 2014, as autoridades vem falando sobre a implantação de restrições na construção de prédios. Naquele ano, o presidente chinês Xi Jinping pediu a construção de edifícios com menos ostentação e o vice-prefeito de Pequim anunciou que a cidade iria começar um processo de regulamentação da construção de prédios, desde o tamanho, até a cor.

“Arquitetos podem ser criativos mesmo com restrições na construção. Não ter restrições é que causa problemas, e foi isso que aconteceu na China, uma construção desenfreada de edifícios sem responsabilidade social”, declarou o político.

O arquiteto chinês Hao Dong, do escritório de arquitetura Crossboundaries, declarou não estar surpreso com a notícia. “As diretrizes basicamente apontam para uma direção positiva, principalmente na China, onde existem tantos edifícios que são construídos somente para chamar a atenção, sem pensar na sua real função”, opinou ele.

Além da aparência dos prédios, o documento trata dos recursos que devem ser utilizados na construção, recomendando que obras que usarem estruturas pré-fabricadas sejam encorajadas, pois garantem a qualidade e diminuem os custos de moradias, o que ajudará a modernizar bairros antigos das cidades chinesas.

Fonte: Portal Globo