Piscinas sem tratamento ameaçam saúde de usuários

 

Foi-se o tempo em que as piscinas eram uma raridade e eram poucas as pessoas que tinham acesso a elas. Hoje, elas proliferam nos condomínios, mas não são tratadas como deveriam por falta de pessoal qualificado e de informações por parte de funcionários responsáveis pela sua manutenção, que deve ser ostensiva no verão, quando há o aumento de frequentadores. Riscos podem ser facilmente evitados, sem criar problemas e gastos

Nenhum outro país tropical possui uma costa marítima como o Brasil, abrangendo quase todos os estados. Ir à praia certamente é o programa mais barato e popular do País. Contrariando esta tradição, nunca foram construídas tantas piscinas em condomínios e em clubes, possibilitando uma nova opção de lazer àqueles que desejam diversão em um ambiente mais selecionado e seguro. Infelizmente, essa proliferação de piscinas não tem acompanhado na mesma proporção o uso de aparelhos e produtos menos nocivos à saúde que garanta segurança e conforto aos usuários, que pagam caro para ter acesso a elas.

Piscina mal cuidada, de acordo com médicos especializados, é sinônimo de doença. A água parada, que muitas vezes funciona como fonte de diversão para muitos, se não estiver devidamente tratada, pode gerar infecção nos olhos, na garganta e no ouvido, otite e renite. Além dessas, outras doenças perigosas podem acometer as pessoas, como hepatite, diarréia, cólera, micoses, dermatites e conjuntivite. Essa situação torna-se mais grave quando constata-se que o público que mais freqüenta as piscinas são crianças, que possuem um nível imunológico mais baixo que adultos.

Segundo dermatologistas, é comum as lâminas d’água das piscinas apresentarem uma coloração esverdeada, sinal indiscutível de que os responsáveis por elas não estão seguindo as orientações indicadas pelos distribuidores dos diversos produtos utilizados no tratamento da água das piscinas.

Controle do pH

O passo inicial que deve ser dado para quem possui uma piscina – principalmente os condomínios, pois o número de usuários é bem maior e diversificado, principalmente no verão – é o controle do pH da água, que deve estar sempre entre 7,4 e 7,6. Se o líquido estiver com coloração turva ou esverdeada é sinal de que o pH está descompensado. Nestes casos, imediatamente deve ser usado um redutor, que é uma substancia que ajusta o nível do pH. Caso esteja acima de 7,6, geralmente é utilizado um ácido. Se o pH estiver abaixo de 7,4, deve-se utilizar outra substancia – a barrilha para compensar o desequilíbrio.

Técnicos da vigilância Sanitária – órgão responsável pelo controle imunológico de piscinas publicas e privadas – aconselham que a cloração da piscina seja feita três vezes por semana no verão, numa proporção de 4 a 6 gramas de cloro sólido para mil metros cúbicos de água.

Uma vez por semana deve usado o clarificante, substancia auxiliar da filtração da água que tem o efeito de decantar minúsculas partículas invisíveis ao olho humano, auxiliando também na vida útil da areia do filtro da piscina, permitindo que a água ganhe uma aparência transparente e cristalina. O sulfato de cobre, mais conhecido como pó azul, não deve ser usado, pois já foi comprovado que provoca vários danos à saúde, inclusive o câncer.

Como tratamento de prevenção e manutenção, deve-se usar o algicida, cujo componente básico é uma formulação líquida que previne a água contra as algas, que são trazidas pelo vento e pela chuva, causando nas piscinas um efeito limoso. Mas para que este tratamento seja efetuado é indispensável o uso de filtros e bombas compatíveis com o seu volume, para que sejam retiradas diariamente as impurezas que ficam depositadas no seu fundo.

Ideal X Real

É claro – infelizmente – que poucas são as piscinas que possuem tal tratamento básico recomendado pelos órgãos de saúde pública. Uma das infrações mais comuns é o uso do cloro líquido, pois este possui um pequeno poder imunizador, de apenas 12%, e é volátil, tornando a piscina mais suscetível à contaminação; já o cloro sólido tem poder ativo imunizador de 65% e mais duradouro. Muitos fazem esta substituição alegando que estão economizando, já que o cloro sólido é muito mais caro que o líquido. As conseqüências são inevitáveis: manchas nas roupas de banho, cabelos endurecidos e ressecamento da pele.

Pesquisas realizadas nos Estados Unidos relatam que um banhista adulto pode ingerir cerca de 1.000 a 4.000 bactérias quando está tomando banho numa piscina. Daí a necessidade de um tratamento adequado e eficiente da água, principalmente as de grande concentração pública. Quando se trata de crianças, este número pode duplicar.

Profissionais especializados

Atualmente, existem pessoas especializadas que trabalham diretamente no tratamento da água das piscinas. Há os piscinólogos, que estudam a ciência de tratar a água parada, e são preparados através de cursos oferecidos pelos próprios distribuidores de produtos para este fim, e até mesmo com engenheiros sanitaristas, que podem ensinar os fundamentos da atividade. Há também os piscineiros, que executam os serviços de limpeza das piscinas visando casas e clubes durante a semana. O piscinólogo trabalha juntamente com o piscineiro e alguns têm até escritório montado para este tipo de atendimento. Vale a pena fazer uma consulta. A saúde acima de qualquer suspeita.

 

Fonte: Jornal do Síndico